terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sobre ter dó da formiguinha

Nasceu e já começou a trabalhar.
"Vamos, ande! Não pode estagnar!"
"A vida precisa render a partir do seu esforço!"
Ninguém perguntou se ela queria catar comida como profissão eterna,
Engoliu a seco e foi produzir.

Foi fazer a vida render.
Era uma vida tão curtinha, tadinha!
Mas para ela, era a única que tinha.
Foi fazer a vida render.

Veio um dedinho engraçadinho que nunca esteve em seu caminho,
Mas por pura diversão quis fincar-lhe a conclusão.

E lá estava ela, esborrachada na janela,
Sem mais sonhos, nunca os teve,
Sem tempo para deixar um bilhete...
E o dedinho vai sem culpa,
"Se não doeu, não há desculpa"
Ficou só rindo do seu ato
Enquanto na vida do outro, foi um fracasso.
Ainda há quem o defenda, mas para ela, Deus a tenha!
Termina assim uma história promissora
da formiguinha que poderia ter sido sonhadora
Tinha em si todas as possibilidades, mas o dedo crítico é sempre uma fatalidade
Sem saber o mal que fez, foi sair sorrindo sem rispidez

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