terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ele me ama com orquídeas e lírios - o poema

Ele me ama com orquídeas e lírios
E com todas as outras flores.

Ele me ama ao nascer e ao se poer,
No declive e na elevação,
Na minha miséria e... (no que restou dela)

Busca minha alma antes que eu a procure.
Busca delicadezas para me cortejar.

Derrete-se no meu paladar,
Experimenta todos os meus sentidos,
Plenifica-se na minha pequena morada,
E lá permanece, contrito, até sua próxima chegada.

Ele me ama sobrenaturalmente
Ainda que minha natureza não o alcance.
Ele me ama me ensinando
E eu aprendo pingos de vida
(Pacientemente).

Ele me oferece orquídeas, lírios, e todas as outras flores;
Leões, canções, borboletas e praias;
E a vida.

Na humilde desproporção pelo constrangimento de tal amor
Eu vasculho um baú para oferecer
Aquilo que tenho de valor.
Vasculho por ouro,
Vasculho por dons,
Vasculho por casa, corpo, livro, louvor.
Mas ainda não é o que tenho de mais valor.

Não vasculho mais
Porque não preciso mais
Eu ofereço a ele eu.
Na humilde desproporção pelo constrangimento de tal amor,
Eu o amo com todo o eu
E ele me ama com orquídeas, lírios e todas as outras flores.


Ele me ama com orquídeas e lírios

E com todas as outras flores.
Meus lírios de casa morreram... Enfim, iriam morrer logo, eu já sabia disso. Mas ficou a saudade da delicadeza que eles traziam aos cômodos ordinários da casa. Eles viravam extraordinários. E tudo que é extraordinário fala bem rápido ao meu coração - já nem é novidade.
Então hoje eu entrei na igreja e ela estava repleta de orquídeas brancas, leves, vivas, santificantes.
Lembrei que eu sou do meu amado e o meu amado é meu.
E ali Ele me amava: com orquídeas, e com a lembrança dos lírios também. Ele me era delicado, e assim me seduziu. Ele me amou primeiro.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fui demitida; logo, tomei chá.

É uma relação óbvia, e já eu vou lhe mostrar. Mas antes, me era necessário dizer o quanto eu já tinha desejado escrever esse post, e como esse foi o momento propício de fazê-lo. Pronto, falei. Cheguemos à relação óbvia:
Deus sabe o quanto havia de desejo no meu coração por trabalhar. E consegui; foi uma grande vitória ter dois empregos formidáveis no segundo semestre de 2012. E Deus também sabe o quanto eu me consumi para ver meu trabalho em dois lugares diferentes dando certo. E Deus também sabe o quanto eu secretamente rezava para que dezembro chegasse logo e eu pudesse me desafogar do estresse cotidiano e da tensão das perspectivas do domingo à noite ao refletir sobre toda uma semana desgastante. E agora você também sabe. 
Me consumi. Deus sabe, e agora você também, que muitas vezes eu chorei de exaustão nas capelas que me eram próximas (por providência) e como, no fim do dia, era somente eu e Ele, e só eu e Ele vivíamos juntos e passávamos os dias juntos. Não tinha espaço para ninguém mais porque não tinha tempo para ninguém mais entrar profundamente na minha vida e dividi-la para que fosse e produzisse fruto. Mas tinha Ele, e nesse tempo Ele me bastou (e ainda me basta, porém com uma pedagogia diferenciada).
Calma, que a relação com o chá já está chegando.
Esse foi um tempo muito frutífero em relação ao meu amadurecimento financeiro e profissional, mas foi um esverdeamento na esfera do ser para o outro espiritualmente. Então Deus decidiu que precisava fazer o inverso em mim. O contrato com um lugar chegou ao fim; a demissão de um outro lugar teve início. Estado de choque por dois dias. Ressuscitei no terceiro.
Não se preocupe com a força da palavra "ressuscitei", na verdade ela foi empregada propositalmente porque, como seres humanos filhos de Deus, passamos por pequenas ressurreições ao longo da vida que nos preparam para a grande ressurreição no final dela. Essa foi só mais uma.
E nessa ressurreição de olhar para uma nova vida e um novo tempo e umas novas possibilidades, eu sentei e tomei um chá. Na verdade, fiz uma festa com chá. Sim, senhor, uma festa com chá - foi minha comemoração de aniversário, um chá da tarde. Ah, tomei chá de morango, chá verde com maracujá, chá de hortelã... E não tomei sozinha, meus amigos estavam ao meu lado e compartilhavam da mesma experiência prazerosa. Há quanto tempo eu não fazia isso...
Além do chá, também fui ao cinema, fui à missa, fui falar da minha vida. E eu não estava mais sozinha, só eu e Ele. Eu estava eu e Ele e com meus amigos.
E que venham os novos tempos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

"Boa tarde, doutor. Desculpa o incômodo, é que sofro de acaso..."


Como a minha mente me leva a pensar que as coisas na minha vida acontecem num acaso!

Em alguns momentos, parece que foi coincidência. Em outros momentos, que passou despercebido pelos olhos de Deus enquanto Ele estava cuidando de coisas mais importantes.
Isso é um sofrimento! É triste ter que pensar que a vida é tão pequena e mesquinha a ponto de ser resumida em probabilidades e (im)possibilidades.
Hoje eu refletia sobre a genealogia de Jesus. Quando dei de cara com a passagem de Mt1, 1-17, fiquei até um pouco desanimada porque ela é muito repetitiva e sem muitas palavras de efeitos. Coitada de mim, enganada pela minha soberba. Essa passagem me mostrou o quanto Deus planeja com carinho e cuidado toda uma vida, em que até os desastres se transformam em oportunidades.
Minha vida não é um acaso, e muito menos o que nela acontece. Se Deus não planejou, Ele permitiu, mas nada passou desapercebido de Seu olhar. 
O problema do nosso egoísmo é que a gente só quer o que a gente quer, e quando não acontece o que a gente quer, a gente diz que tudo deu errado. O errado é ser turrão desse jeito!
Escancaremos as portas para as possibilidades do Senhor. Ele tem cuidado de tudo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sobre quando eu não quis mais saber de Deus

Ou sobre todas as vezes que eu não quis mais saber dEle... Porque foram várias, meu querido amigo.
Como eu já fiquei irada e chateada com Deus... Como eu já reclamei que Ele não cuidava de mim e que tudo que Ele tinha dito antes era mentira...
Parecia até típica cena de novela quando a mocinha se sente traída e começa a quebrar os vasos de vidro na parede que está mais próxima daquele que a magoou.
Só que a mocinha não sabia que, na verdade, o mocinho não tinha feito nada de errado e que ela só estava acreditando em mentiras do vilão.
Tadinho do mocinho, ficava o tempo todo lá encostado na mesma parede que ela tinha arremessado todos os vidros, só esperando o momento em que ele pudesse se explicar.
Pausa para os comerciais: Mas mesmo assim, soltar essa angústia foi muito bom para a mocinha, porque pelo menos ela estava agindo na sinceridade do coração, ela não ia sofrer de rancor eterno desconfiada daquele com quem ela deveria ser íntima.
Voltou a novela: E finalmente ela permitiu que seu amado lhe dirigisse a palavra, o que fez toda a diferença. Eles, então, se abraçam e trocam juras de amor que brotam do mais profundo do coração de cada um dos amantes.
O mais lindo da cena final não é o perdão que ela vai dar à retidão dele, mas a espera paciente que Ele teve para restaurar todo o relacionamento que ela desejava ter quebrado, assim como havia feito com os vasos.

Ele me esperou em cada luta.
Ele me esperou em cada birra e braço cruzado.
Ele me esperou pacientemente em cada lágrima da mentira das minhas próprias conclusões.
Porque Ele me ama.

E viverão felizes para sempre.

"Tu me seduziste, Javé, e eu me deixei seduzir. Foste mais forte do que eu e venceste." (Jer 20, 7)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sobre vinte e seis em cada perna - um breve ensaio

Vinte e seis anos quase completos beirando os vinte e sete. E ainda tem os que tecem comentários de ser em cada perna. Acho justo. Não só nas pernas, mas como na lombar, nos ombros, na cabeça, na renite...
Eu mesma havia postado que o maior aprendizado que tive nessa idade foi descobrir que, de fato, eu estava nessa idade. Não foi fácil.
Há pouco tempo eu tinha o tempo todo ao meu alcance, e agora ele se resumiu a corridos finais de semana e intervalos de almoço para um descanso após o esgotamento da energia quase nuclear gasta em simplesmente dar aulas.
E ainda tem essa: Angra dos Reis, fim de semana com a família, 8 horas da manhã e eu irritadíssima com a querida pessoa que me acordara naquela hora, já que eu queria era dormir... Em outros tempos eu teria acordado para ver o nascer do Sol. Hoje já me basta vê-lo no engarrafamento da Avenida Brasil.
Mas o que mais me estressa nessa segunda metade do meu meio-século é eu mesma cobrando a minha mísera pessoa. Alguém pode me dizer pra eu parar logo com isso? Não dá, né? Acho que desde sempre havia uma lista inconscientemente armazenada de tudo que eu deveria ser ou ter atingido ao chegar os 25, e depois disso é só a correria para tirar toda a lista do atraso.
Mas o tempo não é modular assim, não é não. E olha que eu nem sou dona dele (por isso mesmo)!
Acho que Deus não tem uma lista com as coisas que eu devo fazer antes de chegar aos trinta...
Ainda bem!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sobre primeiros de dezembros (e repetidos plurais)

Ano passado eu já escrevi sobre a singularidade do primeiro de dezembro.
E esse não foi diferente. Queria eu repetir cada palavra que descreveu meus exatos 365 dias atrás, mas o post é novo.
Então que não seja um post sobre primeiro de dezembro, mas sobre as 365 datas que ficaram no meio das duas pontas que tracei. Mas a memória é fraca e a emoção é forte... Talvez não dê certo.

Dores, alegrias, tristezas, sorrisos, abraços (alguns apertados), bolos de aniversário, lágrimas variadas e frequentes, cansaço, preces, sonos, sinos, pacote completo.
Pacote completo. Teve de tudo um muito nesse tempo pouco.
E sem perceber nesse meio, chegamos em mais um final de ano. E o importante é que chegamos. Porque não importa o grau a que chegamos, o importante é prosseguir decididamente. Ah, São Paulo, se ele soubesse o quanto essas palavras alegram meu coração e me dão um pouquinho mais de ânimo para pegar a minha lista de metas e decidir se irei rasgá-la ou completá-la...

Mas sempre existe uma surpresinha de expectativa diferente de outros primeiros de outros meses. Ah, e como é boa a volta da pequena centelha de esperança que nasce pequenininha, transformando essa data em uma personalização do advento para o que vier no tempinho que sobra. Tanto pode ser realizado em 30 dias, mas nesse primeiro desse mês, larga-se de mão querer realizar algo sozinho. Isso foi tentado nos outros primeiros de outros onze meses. Nesse, entrega-se, finalmente, o tanto nas mãos de quem pode intervir favoravelmente.

E isso basta.