quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre Adão, Eva, o que há no meio, discurso, facebook e ego.

Era uma vez um casal que vivia feliz e contente e era muito amigo de Deus. E o final da história é que eles não eram mais amigos de Deus. O que aconteceu no meio? Sério, o que aconteceu?
Você já deve ter ouvido falar desse casal, Adão e Eva, e recentemente eu não paro de pensar neles, algo meio involuntário, de fato, já que deu uma moda de postar que nada disso foi verdade. E quanto mais a negam, mais se torna verdade encarnada...
Acho que quando você obedece uma pessoa que pensa da mesma forma que você, isso não é obediência, é conveniência. Mas quando você obedece alguém que pensa diferente, aí está uma obediência legítima.
Na filosofia da negação da gênese por parte divina, outro argumento emerge, de que o ser-humano é livre para realizar as suas vontades. Embora isso seja meia-verdade, acredito ser mais correto afirmar que o ser-humano é livre para NÃO realizar as suas vontades. Não me chame de louca ainda. Já vou explicar esse pensamento: Todo aquele que só deseja realizar as suas vontades, achando que isso trará felicidade, fica aprisionado pelos seus sentimentos. Todo alcoólatra tem vontade de beber, sua força está em dizer não a esse impulso. Toda vez que eu acordo, tenho vontade de faltar o trabalho porque quero ficar dormindo mais um pouco, e é necessário que eu diga não também a esse impulso. Ou, até na falta de vontade, ter que dizer sim! Não quero ajudar minha mãe nas compras, mas mesmo assim eu vou fazer. Não quero tomar um remédio, mas vou dizer sim. Não tenho vontade de rezar, mas vou rezar, mesmo não tendo impulso. A liberdade está em superar desejos e sentimentos para trabalhar em favor de uma moral correta.
Adão e Eva: O primeiro erro, gerador de todos os outros erros, é a desobediência em favor dos desejos impulsivos. A consequência? Egocentrismo. Porque a desobediência parte da premissa que "eu sei o que é melhor pra mim, mesmo que haja uma pessoa me dizendo o contrário". E no egocentrismo não há teocentrismo. A decisão do rompimento com Deus não partiu de Deus, partiu deles, Deus somente verbalizou o que já era óbvio: A impossibilidade de servir a dois senhores.
E todos os dias que eu entro no facebook, ou em qualquer outra rede ou mídia, tudo se mostra da mesma maneira: discursos de "eu sei o que é melhor pra mim", "nenhuma religião me diz o que fazer", "eu sigo isso, MAS...." Enfim, discursos de egocentrismo que estão a uma farpa de se tornarem discursos de "eu sou meu próprio Deus".
Tenho medo da era em que vivemos. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sobre cabelos brancos

Todos os dias de cabelo branco são especiais. Na verdade, mais significativos do que especiais, afinal não é a coisa mais atraente saber que você já tem cabelos brancos pra esconder no meio do emaranhado do resto dos fios pretos. Hoje foi a descoberta de outro fio e de outros pensamentos.

Não me sinto mais sábia por causa dos cabelos brancos e não procuro valorização por isso. A única coisa que aprendi, se é que posso dizer que há aprendizado em encontrar aquele fio destacado dos outros de cor uniforme, é que você pára pra pensar no tempo. E pensar no tempo é extremamente importante. Acho que esses fios sabem a hora exata para alarmar o ser-humano de um possível sufocamento pelo "deixa pra depois".

Há, de fato, alguma urgência de perceber o entrelaçamento de tempo e vida. Seriam eles sinônimos, em dadas circunstâncias? - Que palavras pesadas, tempo e vida, para um livre discurso como esse - O caso é que eles se encontraram no mesmo espaço, desafiando a lei de Newton, para realizar alguma arte no ser-humano que sou eu. Não sei ao certo que tipo de arte é essa, mais sei que a cada fio encontrado, a vida se reapresenta diante de mim com repossibilidades.