terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sobre aviões, medo, viver e ver estrelas

Acho que o momento que eu sou mais católica na vida é quando estou dentro de um avião. É automático: coloquei o cinto de segurança, o próximo passo é agarrar o terço e passear pelas contas de Ave-Marias e Pai-Nossos até o bendito avião aterrisar. Não fui sempre assim, não. O primeiro vôo da minha vida, na verdade, foi espetacular! Sozinha, 14 anos de idade, achei que estava vivendo uma aventura! Mais de 10 anos depois, não é o mesmo resultado que eu tenho da mesma experiência. Enfim, não fosse por uma tensa turbulência há um tempo atrás, talvez eu continuasse achando o processo todo espetacular. Mas não consigo.
Amo estar em aeroportos. Ainda. Amo mesmo, parece que até rejuvenesce a alma poder ver as pessoas de um lado pro outro, carregando um pedaço de suas vidas na bagagem de mão, quer seja com pesar por deixar alguém, quer seja com ansiedade de encontrar alguém, ou a mistura das sensações num mesmo coração. É fabuloso!
E embora o meu medo/ansiedade possa ser até um pouco infantil, ele molda valores em mim. Afinal, é nesse momento de encarar o medo e de ser mais católica que a vida realmente grita que ela existe. Parece que no tempo em que se fica no ar, os pensamentos vão para um limbo e a vida fica retida até poder sentir que pisa em solo firme. E quando pisa.... Ah, a vontade de ser!
Talvez eu não estivesse tão viva quer não fosse por alguns vôos que se passaram por mim.
Estrelas.
Tentei procurar umas no céu de Miami agora e só vi aviões. (Pronto, revelei minha fonte de inspiração) Entendo que em cidades grandes é mais difícil conseguir enxergar as estrelas por conta da poluição e-coisa-e-tal-que-eu-não-fiz-geografia, e que pena! Talvez até dê pra forçar os olhos dependendo de onde você esteja, mas um ser-humano precisa parar para ver as estrelas.
Quando os Reis Magos prestaram atenção nas estrelas, encontraram uma resposta e nunca mais voltaram pelo mesmo caminho.
Nem que seja no Planetário...
Só não confunda aviões com estrelas, por favor. E nem com fogos de artifício. Estrelas são de verdade (como se aviões e fogos de artifício não fossem, mas você entende o que eu quero dizer), elas tem uma história pra contar. Faz bem admirar aquilo que não foi o homem quem fez, e que não consegue fazer. Nos coloca no nosso devido lugar.
Boa observação estrelar!

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