terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ele me ama com orquídeas e lírios - o poema

Ele me ama com orquídeas e lírios
E com todas as outras flores.

Ele me ama ao nascer e ao se poer,
No declive e na elevação,
Na minha miséria e... (no que restou dela)

Busca minha alma antes que eu a procure.
Busca delicadezas para me cortejar.

Derrete-se no meu paladar,
Experimenta todos os meus sentidos,
Plenifica-se na minha pequena morada,
E lá permanece, contrito, até sua próxima chegada.

Ele me ama sobrenaturalmente
Ainda que minha natureza não o alcance.
Ele me ama me ensinando
E eu aprendo pingos de vida
(Pacientemente).

Ele me oferece orquídeas, lírios, e todas as outras flores;
Leões, canções, borboletas e praias;
E a vida.

Na humilde desproporção pelo constrangimento de tal amor
Eu vasculho um baú para oferecer
Aquilo que tenho de valor.
Vasculho por ouro,
Vasculho por dons,
Vasculho por casa, corpo, livro, louvor.
Mas ainda não é o que tenho de mais valor.

Não vasculho mais
Porque não preciso mais
Eu ofereço a ele eu.
Na humilde desproporção pelo constrangimento de tal amor,
Eu o amo com todo o eu
E ele me ama com orquídeas, lírios e todas as outras flores.


Ele me ama com orquídeas e lírios

E com todas as outras flores.
Meus lírios de casa morreram... Enfim, iriam morrer logo, eu já sabia disso. Mas ficou a saudade da delicadeza que eles traziam aos cômodos ordinários da casa. Eles viravam extraordinários. E tudo que é extraordinário fala bem rápido ao meu coração - já nem é novidade.
Então hoje eu entrei na igreja e ela estava repleta de orquídeas brancas, leves, vivas, santificantes.
Lembrei que eu sou do meu amado e o meu amado é meu.
E ali Ele me amava: com orquídeas, e com a lembrança dos lírios também. Ele me era delicado, e assim me seduziu. Ele me amou primeiro.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fui demitida; logo, tomei chá.

É uma relação óbvia, e já eu vou lhe mostrar. Mas antes, me era necessário dizer o quanto eu já tinha desejado escrever esse post, e como esse foi o momento propício de fazê-lo. Pronto, falei. Cheguemos à relação óbvia:
Deus sabe o quanto havia de desejo no meu coração por trabalhar. E consegui; foi uma grande vitória ter dois empregos formidáveis no segundo semestre de 2012. E Deus também sabe o quanto eu me consumi para ver meu trabalho em dois lugares diferentes dando certo. E Deus também sabe o quanto eu secretamente rezava para que dezembro chegasse logo e eu pudesse me desafogar do estresse cotidiano e da tensão das perspectivas do domingo à noite ao refletir sobre toda uma semana desgastante. E agora você também sabe. 
Me consumi. Deus sabe, e agora você também, que muitas vezes eu chorei de exaustão nas capelas que me eram próximas (por providência) e como, no fim do dia, era somente eu e Ele, e só eu e Ele vivíamos juntos e passávamos os dias juntos. Não tinha espaço para ninguém mais porque não tinha tempo para ninguém mais entrar profundamente na minha vida e dividi-la para que fosse e produzisse fruto. Mas tinha Ele, e nesse tempo Ele me bastou (e ainda me basta, porém com uma pedagogia diferenciada).
Calma, que a relação com o chá já está chegando.
Esse foi um tempo muito frutífero em relação ao meu amadurecimento financeiro e profissional, mas foi um esverdeamento na esfera do ser para o outro espiritualmente. Então Deus decidiu que precisava fazer o inverso em mim. O contrato com um lugar chegou ao fim; a demissão de um outro lugar teve início. Estado de choque por dois dias. Ressuscitei no terceiro.
Não se preocupe com a força da palavra "ressuscitei", na verdade ela foi empregada propositalmente porque, como seres humanos filhos de Deus, passamos por pequenas ressurreições ao longo da vida que nos preparam para a grande ressurreição no final dela. Essa foi só mais uma.
E nessa ressurreição de olhar para uma nova vida e um novo tempo e umas novas possibilidades, eu sentei e tomei um chá. Na verdade, fiz uma festa com chá. Sim, senhor, uma festa com chá - foi minha comemoração de aniversário, um chá da tarde. Ah, tomei chá de morango, chá verde com maracujá, chá de hortelã... E não tomei sozinha, meus amigos estavam ao meu lado e compartilhavam da mesma experiência prazerosa. Há quanto tempo eu não fazia isso...
Além do chá, também fui ao cinema, fui à missa, fui falar da minha vida. E eu não estava mais sozinha, só eu e Ele. Eu estava eu e Ele e com meus amigos.
E que venham os novos tempos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

"Boa tarde, doutor. Desculpa o incômodo, é que sofro de acaso..."


Como a minha mente me leva a pensar que as coisas na minha vida acontecem num acaso!

Em alguns momentos, parece que foi coincidência. Em outros momentos, que passou despercebido pelos olhos de Deus enquanto Ele estava cuidando de coisas mais importantes.
Isso é um sofrimento! É triste ter que pensar que a vida é tão pequena e mesquinha a ponto de ser resumida em probabilidades e (im)possibilidades.
Hoje eu refletia sobre a genealogia de Jesus. Quando dei de cara com a passagem de Mt1, 1-17, fiquei até um pouco desanimada porque ela é muito repetitiva e sem muitas palavras de efeitos. Coitada de mim, enganada pela minha soberba. Essa passagem me mostrou o quanto Deus planeja com carinho e cuidado toda uma vida, em que até os desastres se transformam em oportunidades.
Minha vida não é um acaso, e muito menos o que nela acontece. Se Deus não planejou, Ele permitiu, mas nada passou desapercebido de Seu olhar. 
O problema do nosso egoísmo é que a gente só quer o que a gente quer, e quando não acontece o que a gente quer, a gente diz que tudo deu errado. O errado é ser turrão desse jeito!
Escancaremos as portas para as possibilidades do Senhor. Ele tem cuidado de tudo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sobre quando eu não quis mais saber de Deus

Ou sobre todas as vezes que eu não quis mais saber dEle... Porque foram várias, meu querido amigo.
Como eu já fiquei irada e chateada com Deus... Como eu já reclamei que Ele não cuidava de mim e que tudo que Ele tinha dito antes era mentira...
Parecia até típica cena de novela quando a mocinha se sente traída e começa a quebrar os vasos de vidro na parede que está mais próxima daquele que a magoou.
Só que a mocinha não sabia que, na verdade, o mocinho não tinha feito nada de errado e que ela só estava acreditando em mentiras do vilão.
Tadinho do mocinho, ficava o tempo todo lá encostado na mesma parede que ela tinha arremessado todos os vidros, só esperando o momento em que ele pudesse se explicar.
Pausa para os comerciais: Mas mesmo assim, soltar essa angústia foi muito bom para a mocinha, porque pelo menos ela estava agindo na sinceridade do coração, ela não ia sofrer de rancor eterno desconfiada daquele com quem ela deveria ser íntima.
Voltou a novela: E finalmente ela permitiu que seu amado lhe dirigisse a palavra, o que fez toda a diferença. Eles, então, se abraçam e trocam juras de amor que brotam do mais profundo do coração de cada um dos amantes.
O mais lindo da cena final não é o perdão que ela vai dar à retidão dele, mas a espera paciente que Ele teve para restaurar todo o relacionamento que ela desejava ter quebrado, assim como havia feito com os vasos.

Ele me esperou em cada luta.
Ele me esperou em cada birra e braço cruzado.
Ele me esperou pacientemente em cada lágrima da mentira das minhas próprias conclusões.
Porque Ele me ama.

E viverão felizes para sempre.

"Tu me seduziste, Javé, e eu me deixei seduzir. Foste mais forte do que eu e venceste." (Jer 20, 7)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sobre vinte e seis em cada perna - um breve ensaio

Vinte e seis anos quase completos beirando os vinte e sete. E ainda tem os que tecem comentários de ser em cada perna. Acho justo. Não só nas pernas, mas como na lombar, nos ombros, na cabeça, na renite...
Eu mesma havia postado que o maior aprendizado que tive nessa idade foi descobrir que, de fato, eu estava nessa idade. Não foi fácil.
Há pouco tempo eu tinha o tempo todo ao meu alcance, e agora ele se resumiu a corridos finais de semana e intervalos de almoço para um descanso após o esgotamento da energia quase nuclear gasta em simplesmente dar aulas.
E ainda tem essa: Angra dos Reis, fim de semana com a família, 8 horas da manhã e eu irritadíssima com a querida pessoa que me acordara naquela hora, já que eu queria era dormir... Em outros tempos eu teria acordado para ver o nascer do Sol. Hoje já me basta vê-lo no engarrafamento da Avenida Brasil.
Mas o que mais me estressa nessa segunda metade do meu meio-século é eu mesma cobrando a minha mísera pessoa. Alguém pode me dizer pra eu parar logo com isso? Não dá, né? Acho que desde sempre havia uma lista inconscientemente armazenada de tudo que eu deveria ser ou ter atingido ao chegar os 25, e depois disso é só a correria para tirar toda a lista do atraso.
Mas o tempo não é modular assim, não é não. E olha que eu nem sou dona dele (por isso mesmo)!
Acho que Deus não tem uma lista com as coisas que eu devo fazer antes de chegar aos trinta...
Ainda bem!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sobre primeiros de dezembros (e repetidos plurais)

Ano passado eu já escrevi sobre a singularidade do primeiro de dezembro.
E esse não foi diferente. Queria eu repetir cada palavra que descreveu meus exatos 365 dias atrás, mas o post é novo.
Então que não seja um post sobre primeiro de dezembro, mas sobre as 365 datas que ficaram no meio das duas pontas que tracei. Mas a memória é fraca e a emoção é forte... Talvez não dê certo.

Dores, alegrias, tristezas, sorrisos, abraços (alguns apertados), bolos de aniversário, lágrimas variadas e frequentes, cansaço, preces, sonos, sinos, pacote completo.
Pacote completo. Teve de tudo um muito nesse tempo pouco.
E sem perceber nesse meio, chegamos em mais um final de ano. E o importante é que chegamos. Porque não importa o grau a que chegamos, o importante é prosseguir decididamente. Ah, São Paulo, se ele soubesse o quanto essas palavras alegram meu coração e me dão um pouquinho mais de ânimo para pegar a minha lista de metas e decidir se irei rasgá-la ou completá-la...

Mas sempre existe uma surpresinha de expectativa diferente de outros primeiros de outros meses. Ah, e como é boa a volta da pequena centelha de esperança que nasce pequenininha, transformando essa data em uma personalização do advento para o que vier no tempinho que sobra. Tanto pode ser realizado em 30 dias, mas nesse primeiro desse mês, larga-se de mão querer realizar algo sozinho. Isso foi tentado nos outros primeiros de outros onze meses. Nesse, entrega-se, finalmente, o tanto nas mãos de quem pode intervir favoravelmente.

E isso basta.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sobre o começo do extraordinário

Foi assim:
Perdi o controle da situação;
Fiquei tonta;
Senti meu pulsar mais forte;
Silenciei;
Prestei atenção nos detalhes -
Existe um algo misterioso guardado na sensação de extraordinário que já começou -;
E assim permaneço com uma voz no fundinho da alma dizendo baixinho que a hora é agora sem ter me consultado para ver se havia espaço na agenda mas que me roubou para fora de mim assim sem pontuação mesmo porque nem esse tempo ela quis me dar.
Não pausou, fluiu.

E agora, eu?
Vai-se com uma coragem moleque de quem está prestes a descobrir o segredo do infinito trancado em caixinhas de surpresa espalhadas pelas vielas dos dias a serem percorridos.
Não se corre aqui, se passeia.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sobre coisas extraordinárias

Se você soubesse que em algum momento algo de grandioso, mas muito grandioso, iria acontecer na sua vida, como você se prepararia? Às vezes nós não recebemos as coisas grandiosas que esperamos porque não nos preparamos para recebê-las. Ou pior do que isso, nós as recebemos, mas não valorizamos sua grandiosidade por falta de preparação para essa percepção.

Acredito que algo fantástico que ainda conservamos na nossa cultura é o dia da noiva. O auge da data está no momento da celebração do matrimônio, certo? E para que a noiva "dê conta do recado", ela passa o dia inteiro em preparação para esse momento. Ela pinta as unhas, faz massagem, toma banho relaxante, arruma cabelo e maquiagem; tudo para que ela esteja impecável na hora da celebração. Ela se prepara para o extraordinário.

Agora imagina se ela não faz isso tudo... Se ela não faz cabelo, maquiagem e unhas; se ela usa qualquer vestido; se toma banho de 5 minutos... Aquilo que deveria ser extraordinário na sua vida se tornaria mais um dia qualquer, somente mais um ordinário no montante de outras coisas simplesmente comuns e cotidianas. O extraordinário perderia o seu valor.

E por mais tolo que esse exemplo possa ser, ele é muito real na cultura apressada em que vivemos. Muitas vezes rezamos por algo, temos anseios vindos do fundo do coração que fazem parte da vontade de Deus... (Pausa para explicação: Creio que Deus não coloca desejos no nosso coração que Ele já não queira preencher, mas é necessário notar que nem todo desejo que há no coração deve ser vindo de Deus. Existem muitos desejos que são frutos tanto da concupiscência como do nosso próprio orgulho. É preciso discernir em oração se o anseio do coração também faz parte do coração de Deus.) Enfim, desejamos algo que Deus já deseja nos dar, mas não fazemos do tempo de espera esse "dia de noiva" e ficamos despreparados de tal maneira que não vemos o extraordinário passar, ou ele nem consegue chegar...

C.S.Lewis, em As Crônicas de Nárnia, diz: "coisas extraordinárias somente acontecem com pessoas extraordinárias."  Acho que não existem pessoas que foram mais predestinadas às coisas extraordinárias que outras. Ao contrário, elas só entenderam que é necessário se tornar extraordinário para alcançar aquilo que elas vão lidar com responsabilidade.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Não é só por 20 centavos. Também é pelo meu tio, que morreu por falta de segurança no Rio de Janeiro.

Se você me dissesse que esses 20 centavos melhorariam as condições de transporte, educariam os motoristas de ônibus e manteriam o veículo seguro, eu pagaria.
Se você me dissesse que 20 centavos trariam meu tio de volta... Desculpa, hipótese impossível. Reitero: se você me dissesse que 20 centavos assegurariam que mais nenhuma família no Brasil iria precisar passar pela dor que a minha família passou, eu não só pagaria os 20 centavos, mas como faria questão de andar de ônibus todos os dias, só para contribuir ainda mais.
Só que esses 20 centavos não vão melhorar os ônibus, não vão trazer paz no trânsito, não vão criar segurança e não vão trazer meu tio de volta.
Meu tio morreu pela falta de segurança no Rio de Janeiro.

Esses 20 centavos provavelmente vão blindar os carros das famílias do meu prefeito, do meu governador e da minha presidente. Provavelmente vão servir de "vaquinha" para as férias remuneradas de algum ministro, ou para a construção de mais um castelo-residência com câmeras de vigilância e proteção armada.

Meu tio morreu pela falta de segurança no Rio de Janeiro.
Depois de um fim de semana de comemorações, churrascos e alegrias, enquanto eu brincava de dançar no meu videogame, minha mãe disse "Mari, desliga isso porque sua tia acabou de ligar dizendo que seu tio foi baleado e está em estado grave." E, então, nada mais foi o mesmo. Entendo que 20 centavos não trarão mais a alegria ao coração da minha tia. Também entendo que 20 centavos não vão retirar todo o trauma da perda trágica de uma das melhores pessoas que eu já conheci na minha mera simples história de vida.
Mas protestar contra o abuso de 20 centavos (e mais) pode limpar muita sujeira que deixou essa tristeza acontecer.
Meu tio morreu pela falta de segurança no Rio de Janeiro.
Acredite, não é só por 20 centavos.
De coração,
Alguém que acredita num Brasil mais justo

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sobre dia dos namorados, namorar, estar solteiro e esperar

(Devo alarmar que escrevo esse post em situação de coração começando a se desenferrujar depois de um tempo sabático sem reflexões intensas para não lidar com verdades da vida. Talvez não fique tão bom quanto você espera. Talvez fique.)
Dia dos namorados. O mundo (que se entende por Brasil, já que somos nós que celebramos nessa data, porém é o suficiente para chegar no ponto proposto) se divide em duas categorias: aqueles que comemoram e aqueles que são lembrados forçadamente que não comemoram esse dia. Aos dois grupos, eu pergunto:  Para que namorar?
Se o namoro é a finalidade em si, imagino que a pessoa se assemelhe a um turista perdido na Grande São Paulo sem mapa ou GPS. O pobre coitado vai ficar andando em círculos, pode até aproveitar algumas coisas, mas sem saber o que realmente é designado para ele aproveitar, e sem perceber, pode acabar parando numa área de risco. Parece até um pouco óbvio, mas é tão comum ouvir frases como "não existo sem você" e coisas afins, além de promessas a Santo Antônio para acabar com a carência e solidão da vida, que é tenso ter que lidar com o feed de notícias do facebook nessa data...
Mas se a finalidade do namoro é chegar ao Céu, é como se o roteiro turístico já estivesse dado, com todas as dicas do que é bom que se faça e do que é melhor evitar. Assim, as frases se parecerão com "não existimos sem Deus",e os pedidos para Santo Antônio serão para, em tudo,
realizar a vontade do Pai. E se a finalidade é a santidade, a espera faz todo o sentido e se justifica em si, o tempo de ser solteiro se torna um dom, e não um processo de solidão.
Não há ser-humano que sacie carências e salve de solidão. Band-Aid não é remédio, aquilo que esconde a ferida não a cura. Antes de um relacionamento profundo com alguém, que haja um relacionamento profundo com Deus. Tem certas coisas com as quais não se brinca, afetividade e sexualidade estão nesse grupo.
Não há pressa em receber os presentes de Deus, há pressa em multiplicar os dons que Ele já deu. 
#pronto,falei

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sobre Adão, Eva, o que há no meio, discurso, facebook e ego.

Era uma vez um casal que vivia feliz e contente e era muito amigo de Deus. E o final da história é que eles não eram mais amigos de Deus. O que aconteceu no meio? Sério, o que aconteceu?
Você já deve ter ouvido falar desse casal, Adão e Eva, e recentemente eu não paro de pensar neles, algo meio involuntário, de fato, já que deu uma moda de postar que nada disso foi verdade. E quanto mais a negam, mais se torna verdade encarnada...
Acho que quando você obedece uma pessoa que pensa da mesma forma que você, isso não é obediência, é conveniência. Mas quando você obedece alguém que pensa diferente, aí está uma obediência legítima.
Na filosofia da negação da gênese por parte divina, outro argumento emerge, de que o ser-humano é livre para realizar as suas vontades. Embora isso seja meia-verdade, acredito ser mais correto afirmar que o ser-humano é livre para NÃO realizar as suas vontades. Não me chame de louca ainda. Já vou explicar esse pensamento: Todo aquele que só deseja realizar as suas vontades, achando que isso trará felicidade, fica aprisionado pelos seus sentimentos. Todo alcoólatra tem vontade de beber, sua força está em dizer não a esse impulso. Toda vez que eu acordo, tenho vontade de faltar o trabalho porque quero ficar dormindo mais um pouco, e é necessário que eu diga não também a esse impulso. Ou, até na falta de vontade, ter que dizer sim! Não quero ajudar minha mãe nas compras, mas mesmo assim eu vou fazer. Não quero tomar um remédio, mas vou dizer sim. Não tenho vontade de rezar, mas vou rezar, mesmo não tendo impulso. A liberdade está em superar desejos e sentimentos para trabalhar em favor de uma moral correta.
Adão e Eva: O primeiro erro, gerador de todos os outros erros, é a desobediência em favor dos desejos impulsivos. A consequência? Egocentrismo. Porque a desobediência parte da premissa que "eu sei o que é melhor pra mim, mesmo que haja uma pessoa me dizendo o contrário". E no egocentrismo não há teocentrismo. A decisão do rompimento com Deus não partiu de Deus, partiu deles, Deus somente verbalizou o que já era óbvio: A impossibilidade de servir a dois senhores.
E todos os dias que eu entro no facebook, ou em qualquer outra rede ou mídia, tudo se mostra da mesma maneira: discursos de "eu sei o que é melhor pra mim", "nenhuma religião me diz o que fazer", "eu sigo isso, MAS...." Enfim, discursos de egocentrismo que estão a uma farpa de se tornarem discursos de "eu sou meu próprio Deus".
Tenho medo da era em que vivemos. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sobre cabelos brancos

Todos os dias de cabelo branco são especiais. Na verdade, mais significativos do que especiais, afinal não é a coisa mais atraente saber que você já tem cabelos brancos pra esconder no meio do emaranhado do resto dos fios pretos. Hoje foi a descoberta de outro fio e de outros pensamentos.

Não me sinto mais sábia por causa dos cabelos brancos e não procuro valorização por isso. A única coisa que aprendi, se é que posso dizer que há aprendizado em encontrar aquele fio destacado dos outros de cor uniforme, é que você pára pra pensar no tempo. E pensar no tempo é extremamente importante. Acho que esses fios sabem a hora exata para alarmar o ser-humano de um possível sufocamento pelo "deixa pra depois".

Há, de fato, alguma urgência de perceber o entrelaçamento de tempo e vida. Seriam eles sinônimos, em dadas circunstâncias? - Que palavras pesadas, tempo e vida, para um livre discurso como esse - O caso é que eles se encontraram no mesmo espaço, desafiando a lei de Newton, para realizar alguma arte no ser-humano que sou eu. Não sei ao certo que tipo de arte é essa, mais sei que a cada fio encontrado, a vida se reapresenta diante de mim com repossibilidades.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quem é esse Deus?

Hoje passou um meteoro na Rússia e muitas pessoas ficaram feridas ou morreram. 
Existem pessoas que morrem de fome todo dia no mundo.
Mês passado houve um acidente horrível numa boate no Brasil, e lá se vão mais umas centenas de vidas.
Peço desculpas pela falta de números apurados e pelo tom tenebroso com que começo essa postagem, mas se faz necessário.
Diante de tantas tragédias e maldades que acontecem pelo mundo (e com certeza, essas estão longe de serem as únicas), muitos são levados ao comodismo e à tentação do seguinte discurso: Como pode existir um Deus de amor, se tudo isso acontece? Onde está Deus que não faz nada? Como Ele permite que isso tudo aconteça? Ou esse Deus não ama, ou Ele não existe...
E assim se forma um pensamento ateísta, ou pelo menos desmotivado à procura do Pai.

Refletindo sobre os mistérios dolorosos, num milésimo de segundos eu me perguntei a mesma coisa... E depois percebi que essa é a contradição do amor. Jesus foi perguntado numa similar maneira enquanto estava sendo crucificado "se és Deus, ordene aos seus anjos que lhe tirem da cruz". Era possível? Sim. Jesus poderia, sim, ter saído daquela cruz em qualquer momento. E Ele fez isso? Não. Por que? Porque Seu sofrimento de Amor era maior que qualquer egoísmo. A paciência do amor de Deus não interfere na própria vontade do homem de buscá-Lo.
Você já passou pela experiência de discutir com uma pessoa que você tem certeza que ela está errada, mas mesmo assim ela prefere persistir no erro? Dá uma vontade até de abrir a cabeça da pessoa pra que ela entenda que o que ela pensa não faz sentido... Situação simples mesmo, nem que seja pela discussão do nome de um ator, em que o outro cisma que é um nome, só que não é... Dá até agonia, e depois de um pouco de explosão, você provavelmente desiste e larga a discussão e vai fazer alguma outra coisa pra não se estressar mais...
Jesus sabia o tempo todo que eles não sabiam o que faziam. Foram pelo menos 15 horas de sofrimento de saber que a outra parte estava errada, mas a resposta de amor de Deus foi silenciar. Sofrer resignamente. Só assim, um dia, eles reconheceriam a verdade.

A Cruz é a maior resposta do "porquê tudo isso acontece."


Mansinho, calmo, silencioso, choroso, esperançoso, doloroso, doador, profundo... Esse é o amor do Deus que se mostra escondido para que o mundo O perceba. 


"Quem é esse Deus
Que chora a nossa dor como uma mãe?
Quem é esse Deus
Que, pela sua morte, vida nos dá?"
(Comunidade Católica Shalom - Quem é esse Deus)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Tristeza tem fim, sim, Tom Jobim.

"Tristeza não tem fim
Felicidade sim
(A Felicidade - Tom Jobim)

Hoje eu ouvi que não existe santo triste.
Verdade.
Se há algo que não faz parte da santidade é a tristeza, porque a pessoa que se encontra em estado de santidade está repleta do Espírito Santo, logo, emana os frutos do próprio Espírito.
O pecado, ao contrário, tem como um dos seus frutos, a tristeza. É uma grande amargura que encontra sua cura na confissão.
Obrigada, Senhor, pelos sacramentos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Recusa

Eu sou o meu próprio inimigo.
Não!
Eu sou fraca, isso é verdade. E não estamos comentando de somente uma fraqueza, não... são várias. Entenda como quiser: fraqueza, concupiscência, feridas da alma... Tem tudo isso quando se vai analisando a cebola. Mas me recuso a ser inimiga de mim mesma. Mesmo que todas essas fraquezas me façam uma pessoa "mais ou menos", que comete erros (às vezes grandes, às vezes pequenos), me recuso a ser minha inimiga. E isso também não significa que eu vou cair num comodismo de achar que já que eu sou assim, é assim que eu vou continuar sendo.
Abraço as minhas fraquezas: abraço-as com compaixão, como que soltando algumas lágrimas dos olhos, sabendo da singularidade de cada uma delas. E enquanto eu aproximo meu rosto de seus ouvidos, digo a elas (ou a mim mesma) que estamos lutando juntas.
Afinal, é através das minhas fraquezas que Deus revela Sua graça em mim.
E a graça dEle é o que me basta.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Desabafo

"Não sei se consigo" é o conforto e a agonia desse momento enquanto eu penso em santidade.
Me parecia tão mais simples e belo... Andar pela Pequena Via que Santa Teresinha tanto falava... Ser amor, amar o inimigo, aceitar as provações com docilidade e humildade... Sim, era muito mais bonito enquanto isso se passava pela minha cabeça...
Mas dói na carne, em vários sentidos. Permitir-se perder a razão para ganhar um coração não é tarefa fácil.
E o único consolo enquanto meu coração grita "não sei se consigo" é Deus gritando mais alto "a Minha Graça te basta".

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sobre aviões, medo, viver e ver estrelas

Acho que o momento que eu sou mais católica na vida é quando estou dentro de um avião. É automático: coloquei o cinto de segurança, o próximo passo é agarrar o terço e passear pelas contas de Ave-Marias e Pai-Nossos até o bendito avião aterrisar. Não fui sempre assim, não. O primeiro vôo da minha vida, na verdade, foi espetacular! Sozinha, 14 anos de idade, achei que estava vivendo uma aventura! Mais de 10 anos depois, não é o mesmo resultado que eu tenho da mesma experiência. Enfim, não fosse por uma tensa turbulência há um tempo atrás, talvez eu continuasse achando o processo todo espetacular. Mas não consigo.
Amo estar em aeroportos. Ainda. Amo mesmo, parece que até rejuvenesce a alma poder ver as pessoas de um lado pro outro, carregando um pedaço de suas vidas na bagagem de mão, quer seja com pesar por deixar alguém, quer seja com ansiedade de encontrar alguém, ou a mistura das sensações num mesmo coração. É fabuloso!
E embora o meu medo/ansiedade possa ser até um pouco infantil, ele molda valores em mim. Afinal, é nesse momento de encarar o medo e de ser mais católica que a vida realmente grita que ela existe. Parece que no tempo em que se fica no ar, os pensamentos vão para um limbo e a vida fica retida até poder sentir que pisa em solo firme. E quando pisa.... Ah, a vontade de ser!
Talvez eu não estivesse tão viva quer não fosse por alguns vôos que se passaram por mim.
Estrelas.
Tentei procurar umas no céu de Miami agora e só vi aviões. (Pronto, revelei minha fonte de inspiração) Entendo que em cidades grandes é mais difícil conseguir enxergar as estrelas por conta da poluição e-coisa-e-tal-que-eu-não-fiz-geografia, e que pena! Talvez até dê pra forçar os olhos dependendo de onde você esteja, mas um ser-humano precisa parar para ver as estrelas.
Quando os Reis Magos prestaram atenção nas estrelas, encontraram uma resposta e nunca mais voltaram pelo mesmo caminho.
Nem que seja no Planetário...
Só não confunda aviões com estrelas, por favor. E nem com fogos de artifício. Estrelas são de verdade (como se aviões e fogos de artifício não fossem, mas você entende o que eu quero dizer), elas tem uma história pra contar. Faz bem admirar aquilo que não foi o homem quem fez, e que não consegue fazer. Nos coloca no nosso devido lugar.
Boa observação estrelar!