domingo, 23 de setembro de 2012

Choveu, chovi.

       Por aqui, tenho uma rotina muito parecida com a da Janaína (com exceção de ter que acordar todo dia às 4:30h). Só que hoje, nem tanto. É claro que eu já tive dias que me diverti, saí, conheci pessoas e lugares - mas é da rotina de dentro que eu falo.
      Hoje, como sempre, o tempo prometia chuva. E como sempre, saí do apartamento em direção ao restaurante da faculdade. Sem guarda-chuva (não como sempre). Por se tratar daqueles comuns serenos que molham a superfície do couro cabeludo, mas nem chega a encharcar a raiz do próprio cabelo, raciocinei que me seria prático simplesmente correr um pouco debaixo daquelas gotículas até que eu chegasse ao meu destino, sem danos prováveis. E, enquanto eu estava no meu caminho milimetricamente planejado e controlado pela minha logicidade, o sereno virou chuva, que virou um chuveiro nos segundos de dois passos corridos. Me molhei. E a novidade de sair daquilo que me era planejado e controlado não foi uma má ideia de São Pedro.
     Bato palmas em pé para quem espalhou o ditado popular "tá na chuva, é pra se molhar". E importa se no meio do caminho que você tinha planejado as coisas mudam? Não ia adiantar querer voltar mesmo... ia acabar no mesmo estado e sem ter chegado onde deveria.
    E porque choveu e eu corri e me molhei, pintei minhas unhas dos pés de vermelho.
(Ora, que doideira foi essa e que conexão superficial ela conseguiu fazer nessa simplória rotina? - Calma, por favor.)
    Coisas que os outros faziam para mim há alguns meses: louça, roupa, quarto, sala, comida, cabelo e unhas. (Deve existir mais, mas já é suficiente) Unhas... ficavam lindas, quando feitas por outras. Nunca foi uma habilidade ou arte natural da minha pessoa, o óbvio era permitir que outros que soubessem as fizessem. Mas esse era um dos desafios de se morar sozinha nos EUA. Agora eu também tinha que fazer minhas unhas, e o maior medo e cansaço era em fazer as unhas dos pés. Pintar, nem se fala... Nunca conseguiria deixar tão bonito quanto como faziam para mim.
    E hoje chovei. Chovei, sim. conjuguei. E porque choveu, me arrisquei.
    Fiz as unhas dos pés e pintei de vermelho. Sozinha. Não é obra de arte nem de Van Gogh nem de Picasso. 
   Nem é arte. Mas fui eu quem fiz.

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