quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre O Rei Leão, mentiras, fugas, vocação e felicidade

Aham. Foi isso mesmo que você leu no título. Mas entendo que preciso te contextualizar para te deixar menos chocado(a): (Contém spoiler. Se você não assistiu o filme, o que eu duvido muito, não leia)

Há 2 semanas atrás, num domingo, eu estava voltando de um retiro (maravilhoso, por sinal) e quando cheguei em casa, estava passando O Rei Leão na TV. E é um pouco óbvio que eu preferi mil vezes assistir um filme que eu já vi um milhão de vezes do que deixar a TV no Faustão. Óbvio. E se você tem aproximadamente a mesma idade que eu, deve fazer parte de uma geração que tem praticamente todas as frases desse filme decoradas (bem como tantos outros filmes da Disney). E mesmo assim Deus me surpreendeu, porque pude perceber coisas que não tinha percebido nas outras 999.999 vezes que eu tinha assistido e cantado com o Simba.


Vamos, então, a uma das cenas mais tristes do filme, a morte do Mufasa. Você deve bem lembrar que o Simba começa a chorar ao lado do corpo do pai e, logo em seguida, seu tio Scar chega para "consolar" o leãozinho. O fato é que, nesse momento delicado e de vulnerabilidade do Simba, o Scar começa a jogar mentiras sobre ele, afirmado que tudo tinha sido sua culpa e que era melhor que ele fugisse dali.Todos nós sabemos que a culpa não era do Simba e que o Scar só fazia isso para conseguir o que queria, o trono. Mas conseguiu enganar a "criança", e ela fugiu cheia de remorso. O inimigo faz a mesma coisa conosco. Quando estamos passando por um momento difícil e delicado, ele vem nos encher de mentiras para que queiramos fugir da nossa realidade e não encarar as nossas responsabilidades. Entenda: Ele nos enche de mentiras, não são "verdades difíceis de lidar", são mentiras. Você pode pensar nos seus próprios exemplos...


E então, o Simba foge, como solução para o seu problema. Daí ele começa a viver o "hatuna matata" (os seus problemas você deve esquecer, isso é viver, é aprender...), cuja tradução é fuga (não, não é a tradução literal, foi a minha analogia). Invés de encarar seus problemas e realidades, ele adota como lema de vida a fuga daquilo que lhe dói a cabeça, e acredita estar super feliz fazendo isso, acha que ali é o seu lugar, que tudo está em "paz e tranquilidade". Mas não é assim. Não podemos nos acostumar com o esconderijo que encontramos. Sua vocação não é estar no esconderijo, e você não vai descobri-la se estiver se escondendo.

A vocação do Simba era se tornar rei logo após a morte do seu pai. Ele nasceu para ser grande, ele foi formado para ocupar um lugar que ninguém mais poderia ocupar. E se alguém ocupasse esse lugar, não seria a mesma coisa. O mesmo se aplica a você. Você também nasceu com uma missão. Essa missão, ninguém mais vai conseguir realizar tão absolutamente quanto você mesmo. Você tem um lugar no mundo. E o Simba precisou de uma "cajadada" na cabeça e mais uns "chacoalhões" para perceber isso. Mas percebeu, e isso é o que importa!

Quando ele decide assumir o lugar que lhe é de direito, ele precisa aprender a lidar com o seu passado e reescrever a sua história lhe dando um novo significado. Só conseguiremos dar passos para frente se os passos de trás tiverem um rumo.

Enfim, depois de seu passo de maturidade, ele finalmente pôde desfrutar daquilo que era sua missão e pôde saborear uma felicidade que o deixaria realmente preenchido como pessoa (ou animal!). O passo para essa felicidade precisou começar com o reconhecimento de que ele estava no esconderijo e que ele precisava resgatar aquilo que era sua vocação, mesmo tendo que encarar fatos que preferia deixar esquecidos.

E você? Em que degrau está?

Que Deus te abençoe!

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